Imunodeficiência Primária

O que é a Imunodeficiência Primária?

A imunodeficiência primária é a designação que é dada actualmente a um grupo de 150 doenças1 que:

  • São hereditárias
  • São causadas por deficiências nos genes das células que fazem parte do sistema imunológico
  • Apresentam um vasto leque de sintomas desde ligeiros a graves

As pessoas com uma doença de imunodeficiência primária têm um sistema imunológico que carece de um ou de vários tipos de tecidos imunológicos, proteínas ou células.

O sistema imunológico protege o corpo de germes como as bactérias e os vírus. Deste modo, se uma parte do seu sistema imunológico está em falta ou não funciona correctamente, terá uma maior tendência para contrair infecções, demorará mais tempo a recuperar mesmo que com tratamento antibiótico e sofrerá de infecções recorrentes.

A susceptibilidade para sofrer infecções é um dos sintomas mais comuns da imunodeficiência primária. Pode observar-se em idades precoces nas crianças. No entanto, os sinais de imunodeficiência também podem verificar-se em crianças mais crescidas, nos adolescentes e nos adultos.

Tipos de Imunodeficiência Primária

As imunodeficiências primárias (IP) diferem em muitas formas. Alguns tipos de IP caracterizam-se por níveis reduzidos de anticorpos. Outras implicam defeitos nas células B, células T, granulócitos ou no sistema de complemento. Devido a estas diferenças, os indivíduos com diferentes tipos de IP são susceptíveis a diferentes tipos de doenças.

Actualmente, a Organização Mundial de Saúde distingue 150 tipos diferentes de imunodeficiências primárias1. Existem diferentes terapêuticas para os diversos tipos de IP, o que, aliado a hábitos de vida saudável, também pode melhorar os resultados.

Os tipos mais comuns de IP são:

  • Agamaglobulinemia ligada ao cromossoma X (XLA)
  • Imunodeficiência variável comum (CIVD)/ hipogamaglobulinemia
  • Síndroma de Híper Imunoglobulina M (IgM)
  • Deficiência selectiva de Imunoglobulina A(IgA)
  • Deficiência de subclasses de Imunoglobulina G (IgG)
  • Imunodeficiência combinada grave (SCID)
  • Síndroma de Wiskott-Aldrich
  • Síndroma de DiGeorge
  • Ataxia - telangiectase

Terapêutica com Imunoblobulina Intravenosa (IGIV) 2

Existem diferentes terapêuticas para os diversos tipos de IP. Este facto, aliado a hábitos de vida saudável, também pode melhorar os resultados. Uma das terapêuticas mais comuns é a imunoglobulina intravenosa (IGIV).

A terapêutica com imunoglobulina intravenosa (IGIV) é útil para algumas pessoas com imunodeficiência primária (IP) porque substitui temporariamente os anticorpos que lutam contra a infecção, uma carência que afecta alguns doentes com IP.

A partir de dádivas de sangue de dadores saudáveis, o plasma purificado é extraído por meio de processos especiais, seguros e eficazes. A partir deste plasma, obtêm-se as imunoglobulinas intravenosas.

A maioria dos anticorpos são da classe IgG, também designados por imunoglobulina G ou globulinas gama.

A IGIV é administrada por via intravenosa, ou seja, directamente na veia através de uma agulha. Caberá ao seu médico determinar a dose correcta, considerando certos factores individuais como, por exemplo, o peso, a condição física e a eficácia da IGIV para tratar ou prevenir os sintomas.

A IGIV deve ser administrada preferencialmente num centro de saúde ou num centro hospitalar ou em sua casa. Uma perfusão costuma demorar cerca de 4 horas, embora alguns doentes possam solicitar uma perfusão mais lenta, com o fim de evitar possíveis efeitos secundários.

A IGIV substitui os anticorpos que o organismo deveria produzir, mas não ajuda o sistema imunológico dos doentes a criar mais, pelo que é necessário repetir a dose, geralmente a cada 2-4 semanas.

Devido ao facto dos doentes com imunodeficiência primária não poderem ser "curados" pela IGIV, continuam a correr o risco de contrair alguma infecção; embora tenha sido demonstrado que as infecções são menos frequentes e menos graves.

Os doentes com imunodeficiências primárias que fazem tratamento com imunoglobulinas intravenosas precisam desta terapêutica para o resto das suas vidas.

Bibliografia

  1. Geha R, Notarangelo L, Casanova JL, Conley ME, Chapel ME, Fischer A, Hammerstrom L, Nonoyama S, Ochs H, Puck J, Roifman C, Seger R, Wedgwood J. Primary immunodeficiency diseases: an update from the International Union of Immunological Societies Primary Immunodeficiency Diseases Classification Committee Meeting. Journal of Allergy and Clinical Immunology 2007; 120(4):776-794.
  2. Patient & Family Handbook for Primary Immunedeficiency Diseases Produced by Immune Deficiency Foundation through a grant from Baxter. Fourth Edition. 2007.